Carlos Bica + André Santos + João Mortágua

22 de Julho, 2020 – 21H30
Adro da Sé de Viseu

Concerto: Jazz
Duração:  80 min. aprox.
Com: Carlos Bica (contrabaixo), André Santos (guitarra), João Mortágua (saxofone)
Fotografia: Dom Camilo
Tag: Jazz
Duration:  80 min. aprox.
With: Carlos Bica (double bass), André Santos (guitar), João Mortágua (saxophone)
Photo by: Dom Camilo

POR
O que a música do trio Bica, Santos, Mortágua possui de mais excitante é não apenas o oceano de referências que partilham, mas também a instabilidade que advém de não possuir um líder explícito, como se numa consagração do conflito como motivo musical.
Bica é um compositor inquieto, que aborda sem pudor a pop, a música erudita ou o Jazz, mas é também um músico rigoroso; e esse rigor, e a autoridade que lhe advém da veterania, autoriza-o como o fiel da (letra das) composições, altercando o impetuoso João Mortágua, lesto a questioná-las e a improvisar sobre elas, ou motivando a guitarra omnipresente de André Santos. E se Mortágua é um espírito rebelde e também um líder natural, André Santos é o chão que pisam, o tecelão do patchwork sobre que o trio caminha, ora relevando ora questionando as linhas melódicas do contrabaixo, ora coartando a rebeldia do saxofone ou ora oferecendo-lhe as asas.
Três líderes e três autores cultos, instrumentistas que se encontram pelo puro prazer da aventura, contribuindo com as suas composições e a peculiar forma como abordam o instrumento.
Música no fio da navalha, que se alimenta do conflito entre o coletivo e indivíduo, e entre a composição e a improvisação, Bica – Santos – Mortágua, contrabaixo, guitarra e saxofone, o risco e a aventura num trio singular.

ENG
What is most exciting about the music of the trio Bica, Santos, Mortágua is not only the ocean of references they share, but also the instability that comes from not having an explicit leader, as if in a consecration of the conflict as a musical reason.
Bica is a restless composer, who relentlessly approaches pop, classical music or Jazz, but he is also a strict musician; and that rigor, and the authority that comes from veteranism, authorizes him as the believer in (lyrics of) compositions, altering the impetuous João Mortágua, quick to question and improvise about them, or motivating André’s omnipresent guitar Santos. And if Mortágua is a rebellious spirit and also a natural leader, André Santos is the ground they set foot on, the patchwork weaver the trio walks on, sometimes revealing sometimes questioning the melodic lines of the double bass, sometimes coaxing the rebelliousness of the saxophone or sometimes offering her wings.
Three leaders and three educated authors, instrumentalists who meet for the pure pleasure of adventure, contributing with their compositions and the peculiar way they approach the instrument.
Music on the razor’s edge, which feeds on the conflict between the collective and the individual, and between composition and improvisation, Bica – Santos – Mortágua, double bass, guitar and saxophone, risk and adventure in a singular trio.

CARLOS BICA
Quando se fala da música de Carlos Bica a crítica costuma salientar a forma como nela se interpenetram referências de diferentes universos, da música erudita contemporânea à folk, ao rock, ao jazz, às músicas improvisadas. O que corresponde, como seria natural, à própria trajetória do músico compositor. Aprendeu a tocar contrabaixo na Academia dos Amadores de Música e na Escola Superior de Música de Würzburg, na Alemanha. Foi membro da Orquestra de Câmara de Lisboa, assim como de diversas orquestras de câmaras alemãs, tais como, a Bach Kammerorchester e a Wernecker Kammerorchester. Fez muita música improvisada, durante anos tocou com a cantora Maria João, trabalhou e gravou na área da música popular portuguesa com Carlos do Carmo, José Mário Branco, Camané, Janita Salomé, Pedro Caldeira Cabral, Cristina Branco e colaborou com músicos como Ray Anderson, Kenny Wheeler, Aki Takase, Kurt Rosenwinkel, John Zorn, Lee Konitz, Mário Laginha, Mathias Schubert, Claudio Puntin, João Paulo Esteves da Silva, Gebhard Ullmann, Paolo Fresu, David Friedman, Ulrike Haage, Alexander von Schlippenbach, John Ruocco, Daniel Erdmann, DJ Illvibe, entre outros.

ANDRÉ SANTOS
André Santos é um guitarrista madeirense, que tendo o Jazz e a música improvisada como campos de maior exploração, mantém o ouvido atento para qualquer abordagem musical que lhe suscite curiosidade. É possível ouvi-lo nos mais variados contextos como, por exemplo, Mano a Mano, o duo que mantém com o seu irmão Bruno; MUTRAMA, projeto que revisita a música tradicional madeirense; as colaborações com Carlos Bica (em trio com João Mortágua ou no Quarteto Maria João/Carlos Bica) ou Salvador Sobral (Quinta das Canções).
Deu os seus primeiros passos no Conservatório da Madeira, licenciou-se (em Jazz) na Escola Superior de Música de Lisboa e fez mestrado (sempre em Jazz!) no Conservatorium van Amsterdam, com um intercâmbio na Temple University, em Filadélfia.
Já participou em vários projetos, concertos e gravações com músicos como Carlos Bica, Maria João, Filipe Raposo, Lars Arens, Joana Espadinha, Marco Franco, Teresa Salgueiro, Salvador Sobral, Luísa Sobral, Júlio Resende, Bernardo Moreira, Beatriz Pessoa, Ana Moura ou Pedro Moutinho.
Como líder, destacam-se os seus discos ‘Ponto de Partida’ e ‘Vitamina D’, o projeto Mano a Mano, com o irmão (e também guitarrista) Bruno Santos, e, mais recentemente, o projeto Mutrama, no qual revisita a música tradicional madeirense com base em recolhas feitas pela Associação Xarabanda.
Com todos estes projetos, e muitos outros, já atuou um pouco por todo o mundo: México, Macau, Cabo Verde, Suécia, Itália, Alemanha, Espanha, Luxemburgo, Sérvia, Montenegro ou Angola, sem nunca esquecer a esplendorosa ilha onde nasceu, sempre desejoso de voltar a casa e partilhar as histórias e experiências que o marcaram.

JOÃO MORTÁGUA
Entre os vários saxofonistas surgidos em cena nos últimos anos, João Mortágua depressa se destacou entre os mais completos e desafiantes. Além de ter uma voz própria, apresenta uma visão do jazz muito pessoal, como ficou revelado com o seu disco de estreia, Janela. Uma visão bem explicitada em composições que são elegantes sem serem pretensiosas e que proporcionam tanto a improvisação solística como uma dinâmica de grupo
particularmente feliz.
O saxofone alto de Mortágua tem, inclusive, uma elasticidade de vocabulário surpreendente, sem nunca perder a identidade. Se umas vezes parece estarmos a ouvir Lee Konitz, noutras é John Zorn que nos vem à ideia.
Natural de Estarreja, ingressou aos 9 anos de idade no Conservatório de Música de Aveiro. Depois de uma participação na Orquestra Juvenil do Centro, o seu cada vez maior interesse pelo jazz trouxe-o para Lisboa a m
de frequentar a Escola de Jazz do Hot Clube de Portugal. Foi no Porto (ESMAE) que tirou, no entanto, a sua licenciatura. Contribuiu para a gravação de vários discos, entre eles Joyce (Zelig), Our Secret World (Orquestra Jazz de Matosinhos com Kurt Rosenwinkel), Agromando (Iago Fernandez), Câmbio (Miguel Moreira Sexteto), Set (Nuno Ferreira) e Bouncelab (Mané Fernandes). É docente de Saxofone Jazz no Conservatório de Música de Coimbra.

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